Para resolver bem qualquer problema, o primeiro passo é entendê-lo, conhecer a situação e estar ciente do contexto para então buscar soluções e finalmente aplicá-las. Na busca de emprego não é diferente. Portanto muito antes de pisar no Canadá, é bom começar a fazer o dever de casa, juntando o máximo possível de informações sobre o mercado de trabalho em sua área de atuação na região para a qual pretende imigrar. Temos a sorte de viver na era da Internet, um mundo totalmente conectado e transbordando informação. Com um computador, conexão à rede, paciência e um pouco de força de vontade, você consegue muita coisa, mesmo estando longe do seu destino e não conhecendo ninguém por aqui.

Explore ao máximo os sites de oferta de empregos, classificados e sites de empresas que podem ter vagas pra você. Também há muitos sites e podcasts especializados em busca de emprego e assuntos relacionados cheios de dicas e informações valiosas. Se for preciso telefonar pra alguém nas terras geladas uma boa dica é utilizar aplicativos como o Skype para fazer chamadas telefônicas internacionais por preços bem mais baixos do que os da telefonia tradicional.

Visitas periódicas a sites como Monster, Jobboom e Craig’s List vão te dar uma idéia do tipo de vagas que são ofertadas na sua futura cidade. Muitos deles oferecem serviços de notificação, nos quais você se cadastra no site e recebe por e-mail as ofertas de emprego que correspondem ao seu perfil profissional. Tente descobrir quais empresas se destacam na sua área e quais são consideradas bons empregadores. Procure saber qual a faixa salarial que o mercado paga para o seu perfil. Uma ótima ferramenta pra isto é o Monster Salary Centre. Enfim, descubra o que o mercado local oferece e exige. Procure saber como as coisas funcionam no seu novo lar. Mas também saiba o que você quer, que tipos de emprego você deseja, qual o ideal e quais são aceitáveis, pois é importante ter foco durante a busca.

Uma outra coisa que eu acho fundamental é ter uma estratégia para a sua busca de emprego. Isso vai te guiar durante a jornada e manter você nos trilhos. Trace um plano do que você vai fazer, ponha no papel (ou na tela) os passos que você vai seguir pra procurar emprego e o que vai fazer caso eles dêem errado. Além do plano principal, tenha um plano B, um plano C, etc… Por exemplo, no meu caso a estratégia em linhas gerais era procurar um emprego em Montreal na área de desenvolvimento de software. Se depois de cerca de 4 ou 6 meses eu não encontrasse, começaria a procurar nas duas grandes cidades mais próximas: Ottawa e Quebec. Em paralelo eu iria procurar também vagas fora da minha especialidade, mas nas quais eu também pudesse trabalhar. Se depois de mais alguns meses não aparecesse nada, eu iria tentar também os empregos totalmente fora da minha área mas que exigem menos qualificação e experiência, apenas para pagar as contas enquanto continuaria procurando o emprego ideal.

Quem ainda ainda vai demorar um pouco a vir pro Canadá por estar aguardando o processo de imigração ou outros motivos, pode achar que é cedo pra tomar essas providências. Mas me parece ser o momento ideal pra dar início a isso. Quanto mais cedo você começar a se familiarizar com o seu novo contexto e se planejar, menos tempo e dinheiro você vai ter que gastar fazendo isso quando estiver aqui e suas chances de encontrar logo um bom emprego devem aumentar. Você não vai ser pego de surpresa nem ficar perdido sem saber o que fazer se conhecer bem o que te aguarda.

Encontrar um bom emprego no Canadá pode ser bem difícil. Pode demorar bastante, dar muito trabalho, te levar aos seus limites, detonar sua auto-estima, acabar com suas economias e sua paciência. Mas também pode ser o contrário de tudo isto. É claro que todos queremos ter a sorte de cair nesse segundo caso, mas na dúvida o melhor é se preparar para o pior. Assim você não vai estar em apuros se precisar enfrentar muitas dificuldades e terá uma agradável surpresa se tudo correr fácil e der certo mais cedo do que o esperado.

No nosso caso acho que ficamos entre esses dois extremos. Não demorou tanto quanto vimos acontecer com outros colegas, mas também não chegamos aqui com o emprego já garantido, como gostaríamos. Nos mudamos para Montreal em meados de junho de 2009, consegui um primeiro emprego razoável e ligeiramente fora da minha área no meio de outubro mas duas semanas depois apareceu o emprego do jeito que eu queria. Agora, completados 3 meses no segundo emprego, estou indo pra um terceiro. Melhor do que o anterior em alguns aspectos, pior em outros e uma incógnita no resto. Vamos aguardar pra ver se valeu mesmo a pena.

Faz tanto tempo que não escrevo neste blog que prometo escrever daqui pra frente alguns posts sobre a minha experiência no mercado de trabalho canadense, tentando passar um pouco do que eu tenho aprendido por aqui com relação a busca de emprego e tudo o mais. Espero que isso ajude outras pessoas que estão passando ou vão passar por esse mesmo processo, assim como conhecer a experiência de outras pessoas também me ajudou. Vale lembrar que cada caso é um caso e eu não sei exatamente como é em outras cidades do Canadá, eu só posso falar de Montreal e do meu caso específico, portanto dêem o desconto se perceberem muitas diferenças com relação a outros contextos.

Hoje pegamos pela primeira vez -19 ºC. Confesso que gelei só de olhar a temperatura na previsão. Me preparei toda. Coloquei termal underware, midlayer (um casaco mais fino, por baixo do casaco mais grosso), cachecol, gorro, luva, botas, e o casaco mais quente. Sai de casa e fui para a parada de ônibus. Sinceramente, eu não senti muita diferença para os -10 ºC que estava fazendo na última semana. Foi tranquilo. Nada de outro mundo. O grande problema é quando vem uma rajada de vento. Aí não tem nariz que aguente! Tirando isso, não passei mais frio do que na “Noite dos Insetos Assassinos”, em Mulungu. Ali sim foi frio, viu?

Acho que passei até um pouquinho de calor… Quando desci do primeiro onibus para pegar o segundo, eu vi ele passando do outro lado da rua. Como não deu para alcançar, eu não passei 15 minutos a -20 ºC esperando pelo próximo ônibus. Entrei na Starbucks em frente a parada de onibus, comprei um café, e fiquei lendo o meu livro por uns 10 minutos até que eu avistei o ônibus lá longe. Só então eu fui para a parada de ônibus, junto com algumas outras pessoas que tiveram a mesma ideia. Olha que maravilha! Vamos ver como vai ser quando chegar a -30 ºC.

E para ilustrar esse post, uma foto da Université de Montreal. Eu trabalho nesse prédio aí só até amanhã. Vou sentir saudades! Mas a escolha de não fazer o doutorado na bioinformática foi minha.

P.S. Sobre o nariz no frio de -20 ºC, os palhaços é que são felizes porque eles podem andar com a bolinha protegendo a ponta do nariz… Eu tento enrolar o cachecol e proteger o nariz, mas quem me conhece sabe que eu tenho uma “gastura” terrível de qualquer contato com o meu nariz. Mas nesse frio, o jeito é tentar se acostumar. Se eu me acostumei com os óculos, pode ser que eu consiga me acostumar com o cachecol…

Esse é um post bem atrasado sobre a segunda parte para se tirar a carteira de motorista: O Road test.

Um dos problemas do Road Test para quem vem do Brasil é que é impossível alugar um carro com marcha manual. E a grande maioria dos brasileiros passa a maior parte da vida dirigindo carros com marcha manual.

Logo depois que se passa pela prova escrita, a gente vai pegar uma senha para marcar o teste de direção. No guichet, o rapaz oferece a carteira de aprendiz. Com essa carteira você já pode dirigir pelas ruas de Montreal acompanhado de outra pessoa que tenha carteira de Québec, e pode fazer aula da auto-escola, se quiser. Essa carteira de aprendiz, se não me engano, custa CAD$45,00. Eu preferi não comprar. Achei muito caro e não tinha nenhum amigo com carteira Quebecois e carro para treinar antes do teste de qualquer forma.

O que eu fiz algumas horas antes do teste foi pagar uma aula com um instrutor daqui que aceita alunos sem a tal da carteira de aprendiz (tudo por debaixo dos panos mesmo). Ele também alugou o carro para eu fazer o teste.

O meu teste era numa terça-feira às 9h10min. Então encontrei esse instrutor às 7h na estação de metro Henri-Bourassa. Ele foi me buscar no carro em que outro aluno estava fazendo aula antes de mim, no mesmo esquema para fazer o teste logo depois. Já no banco de trás, senti como seria estressante essa aula. Ele gritava com o menino o tempo todo, dizia que ele ia matar as pessoas, etc. Já fui ficando nervosa logo no início. Quando deixamos o rapaz no SAAQ para ele fazer o teste dele, eu peguei o carro e comecei a minha aula.

Aqui vou fugir um pouco do assunto para falar que devia ser obrigatório que todos aprendessem a dirigir com marcha manual antes da automática. Os adolescentes aqui já começam dirigindo os carros de marcha automática e nunca aprendem a dirigir carros com marcha manual. A marcha automática é ridicula. Você só precisa pisar no acelerador e no freio. Nada mais. Não tem o feeling de você aprender o quando trocar as marchas. Acho que eles perdem muito em não aprender isso.

Voltando à aula com o terrorista, foi a pior aula de todos os tempos. Ele fica o tempo todo gritando. Você não pode perguntar nada e qualquer erro que eu cometia ele dizia que eu ia matar as criancinhas no meio da rua. Tive que perguntar três vezes sobre a história da dupla parada até que ele conseguisse me explicar direito quando fazer… Quando acabou a aula, ele me deixou no SAAQ já dizendo que eu não ia passar e que podia ligar para ele depois para marcar outra aula. Valeu!

Eu fui então fazer o teste. Passei uns 20 minutos tentando me acalmar depois das loucuras daquele maluco. Tentando decidir se adiava logo o teste ou se fazia para ver no que dava. Fiquei nesse dilema até que o avaliador me chamou para fazer o teste. Ai, ai, eu estava tão nervosa… Me tremia toda. Ele já estava com a chave do carro. Ele abriu as portas, sentou no banco do passageiro, já colocou a chave na ignição e ligou o carro. Eu entrei e rezei para dar tudo certo. Ele mandou eu sair do estacionamento. Eu, seguindo as instruções do louco, fiz como me foi dito. Coloquei a mão no banco dele, me virei toda para trás, e comecei a da a ré. Fui bem devagar por que me sinto muito mais segura usando os espelhos para fazer isso, mas regra é regra. Sai do SAAQ e comecei o teste. A primeira instrução dele foi dobrar a direita num sinal na Av. Henri-Bourassa. Como estava nervosa, assim que o sinal abriu fui logo dobrando a direita sem pensar direito, quando, felizmente, lembrei dos pedestres. Ele ainda falou: Os pedestres tem preferencia. Eu respondi que sabia, que so estava nervosa. Tirando isso, o resto do teste foi ótimo. A tranquilidade dele me deixou mais tranquila. Fiz o teste direitinho, parando nos PAREs, olhando para os pontos cegos antes de dobrar, fazendo a dupla parada quando o PARE é só pra mim, e continuando na faixa da esquerda quando dobrando para a esquerda (a parte mais difícil para mim). No final do teste, a gente volta para o SAAQ e faz a baliza.Chegando no SAAQ, eu fiquei parada com o carro, esperando os que já estavam fazendo terminarem. Nesse momento eu e o avaliador demos uma boa rizada do que estava acontecendo na area da baliza. Uma menina subiu a calcada, um menino bateu no carro de tras e a outra estava presa sem conseguir estacionar e nem sair da vaga. Passamos uns 5 minutos esperando alguem conseguir sair dessa situacao ate que eu fui fazer a baliza. De novo, posicionei o carro e coloquei o braco no banco do passageiro para virar o corpo todo para tras para dar a ré. Isso é muito chato, viu? A gente tem bem menos controle do carro fazendo isso. Tudo certo. Fiz a baliza e voltei para o ponto de partida, tendo que estacionar o carro de frente em qualquer vaga. Estacionei e ele me falou: Parabéns, você passou com 100%.

Que Felicidade viu? Na mesma hora liguei para o terrorista para falar que passei. Não aconselho a aula dele antes da prova para pessoas facilmente impressionáveis. Foi bom porque muita coisa sobre o teste eu não sabia, mas se tivesse que fazer de novo, não faria com ele nem a pau. Paguei a taxa da carteira, que para mim foram $76,00 dolares porque fiz aniversário em Outubro. Todo ano você paga pela renovação, pelo que entendi.

O Márcio fez o Road test dele semana passada e também passou. Mas, segundo ele, ele teve mais problemas com o avaliador do que com o terrorista…

E para as donas de casa de plantão:

Top-5 Produtos Canadenses (Na minha opinião)

  1. Toalha de papel absorvente – Impressionante! Parece tecido. Você pode molhar, limpar a superfície, molhar de novo, espremer, e a folhinha fica quase intacta (dependendo da marca). Imagino que não deve ser muito ecológica, mas o fato de você precisar de apenas uma folha para limpar uma mesa suja, por exemplo, deve compensar.

  2. Detergente de lavar louças – O primeiro que compramos durou cerca de 4 meses! Tem que usar bem menos do que estamos acostumados a usar no Brasil, senão o sabão não sai dos pratos. O negócio é super concentrado.

  3. Desinfetante – Mesmo princípio do detergente. Super concentrado! Uma garrafa não dura 4 meses, porque o cachorrinho não ajuda e, às vezes, faz chichi no meio do banheiro. Aqui em casa chega a durar quase 2 meses.

  4. Meias anti-chulé – A melhor invenção do século. Imaginem passar o dia com os pés dentro de uma bota toda acolchoada por dentro, bem quentinha. Bom né? Nem tanto para o nariz. Mas com essa maravilhosa invenção, você pode tirar a bota em casa despreocupado. Claro que elas não fazem milagre e, se seu pé sua muito, provavelmente, depois de alguns dias usando a mesma meia vai dar um pouco de chulé, mas nada comparado com uma meia normal.

  5. Embalagens em geral – Aqui as embalagens são feitas para realmente conservar os produtos, mesmo depois de abertas. Quando é algum produto alimentício geralmente tem aquela tecnologia que parece com um zíper. O produto fica bem conservado por um bom tempo e você não se preocupa em fechar tudo com pregadores (hehehehe!). A caixa de leite tem um mecanismo bem inteligente (alguns não concordam) para abrir e fechar. Enfim, isso não é regra, é claro.

Depois vou postar o Bottom-5.

Ultimamente, os dias aqui em Montreal têm sido bem bonitos. Inspirados pelo céu limpinho e as temperaturas agradáveis que têm feito nesses dias, nós resolvemos fazer um picnic domingo (Na verdade há dois domingos atrás, mas demorei para postar). O lugar? Parc Lafontaine.

Quando a gente veio para Montreal, eu tinha em mente que iria me apaixonar pelo parc Mont Royal. Mas me enganei. O parc Lafontaine é o point dos picnics de domingo, grupos de pessoas andando de bicicleta, cachorrinhos de todos os tipos e crianças alimentando os patos, que brincam no enorme lago artificial, com direito a chafariz e queda d’água. Estou apaixonada pelo parc Lafontaine.

Visando inaugurar nossa mochila de picnic, uma das nossas aquisições mais recentes, graças ao casal da Bahia , Ludmila e Luís (http://receitasdalud.blogspot.com), resolvi que iria fazer algo bem simples, mas que desse para usar alguns dos acessórios da mochila.

O Márcio foi o responsável pelas bebidas. Ele fez o tradicional café com leite com ajuda da nossa cafeteira italiana (também comprada do adorável casal já citado acima).

Quanto às comidas, foram ambas receitas do blog da Lua (http://quichedemacaxeira.blogspot.com): O tradicional pão de requeijão (feito com queijo cottage substituindo o requeijão) e as adoradas blondies (com gotas de chocolate meio amargo e chocolate branco). Para colocar no pão, trouxemos geléia, manteiga e umas fatias de queijo cheddar processado. Não podia ser mais simples: café com pão e bolo.

Então, domingo de tarde nós fizemos a peregrinação para o parque. Eu (com o Athos na bolsinha), Márcio, Aleyne e Jim organizamos tudo, montamos nas nossas bixis e partimos em direção ao parc Lafontaine. Foi uma ótima tarde. Nós tiramos um monte de fotos, e o picnic foi um sucesso.

Além de tudo, descorbi uma utilidade pra rede que eu trouxe lá de Fortaleza. Vi várias pessoas deitadas nas redes, armadas entre duas árvores. Como foi que eu não pensei nisso antes? Da próxima vez, vou levar a minha redinha também.

Algumas coisas por aqui não são muito diferentes daí. Essa semana fomos no SAAQ fazer o teste escrito para tirar a carteira de motorista. Tivemos que marcar horário, por telefone, há cerca de um mês atrás.

Para quem não sabe, a nossa carteira é válida por um período de 3 meses após o “landing”. Depois disso, nós temos que ir no SAAQ para obter a carteira daqui. Alguns imigrantes, dependendo do país de origem, não precisam fazer o teste escrito e/ou o de direção. Mas, como brasileiros, que somos, os testes são obrigatórios para nós. Meu “appointment” estava marcado para 9h30min e o do Márcio para 9h50min, mas, por telefone, nos disseram para irmos juntos ao guichet. Com todos os documentos em mãos (Passaporte, papel do landing, Cartão do Assurance de maladie, carteira de motorista do Brasil e sua tradução obtida no consulado) chegamos no local por volta das 9h. Assim que chegamos, uma equipe de seguranças nos orientou a esperar no lado esquerdo, junto com várias outras pessoas que estavam ali há mais tempo, até que os guichets fossem abertos, o que aconteceu às 9h25min. Felizes e sorridentes, fomos para a fila. Ao chegar no guichet veio a decepção: nenhum “appointment” havia sido marcado para mim. O do Márcio estava OK, mas o meu não apareceu no sistema. Fui misteriosamente apagada da lista. Fiquei muitíssimo irritada. Acordei cedo, cheguei no trabalho tarde, gastei tempo, dinheiro e paciência por nada. Depois dessa, fui correndo para o trabalho para não precisar sair tão tarde. O Márcio ficou, lá fazendo o exame, mas, infelizmente, ficou reprovado por 1 questão. Ele vai ter que refazer somente as questões que errou.

Assim que cheguei no trabalho escrevi uma enorme reclamação no site do SAAQ. De tarde eles ligaram para o Márcio para conversar sobre a reclamação. Olharam no sistema e viram que eu realmente tinha um appointment marcado para o dia 16. Pediram desculpas, e disseram que ligariam marcando um outro appointment pra mim. Pelo menos essa parte foi bem diferente do Brasil. Pouco tempo depois, uma mulher ligou marcando para o dia seguinte às 8h30min .

No outro dia fui feliz, alegre e sorridente, já levando o meu PRcard (que chegou no dia anterior de tarde) para o guichet. Chegando lá, descobri que também precisava ter levado o papel do landing. Fiquei muito chateada. Fui em casa pegar o papel e voltei para o SAAQ, ainda com esperanças de ir trabalhar depois (bobinha!).

Com o papel do landing em mãos o doce rapaz no guichet, que naquele dia resolveu que não falava inglês, mas no dia anterior atendeu o Márcio o tempo todo falando inglês, passou quase 20 min olhando para os meus documentos. Ele estava em dúvida se teria problema o fato de a minha carteira de motorista ainda estar com o meu nome de solteira. Eu, já com ódio, falei para ele perguntar para alguém que soubesse. No final deu tudo certo. Fiz o exame de vista direitinho e depois fui fazer o exame escrito. Achei bem complicado. A prova é cheia de “cascas de banana” e é feita num computador do período Jurássico. Mas passei e já marquei o exame prático para o próximo dia disponível, 17 de novembro. Um outro rapaz do guichet me perguntou se eu queria comprar a carteira de aprendiz para praticar com alguém ou fazer alguma aula na auto-escola, mas por 46 dólares, prefiro fazer a prova com a cara e a coragem mesmo…

Saí de lá já era quase 16h.

Jazz Festival

Festival de Jazz de Montréal

Olá, caros amigos! Novamente ficamos um bom tempo sem postar. Nos desculpem pela demora. Temos estado bem ocupados. O estágio da Tuana finalmente começou e nas últimas semanas eu tenho trabalhado direto, então ficou meio complicado pra atualizarmos o blog. Calma, eu ainda não consegui emprego, é demorado mesmo (mais do que eu gostaria). Mas se você não está empregado, então procurar emprego deve ser seu full-time job! Todo dia eu procuro cumprir o expediente na busca por vagas ou na preparação para as entrevistas. É uma rotina cansativa, pois procurar emprego aqui dá bastante trabalho e não é fácil. Mas não vamos falar muito de trabalho agora não, deixemos isso pra um futuro post mais detalhado. A Tuana já fez um resumo de como isso funcioina por aqui. Vamos falar dos festivais e do verão dessa cidade.

Montreal é conhecida por seus eventos culturais, festas, festivais, restaurantes e atrações turísticas. Não falta coisa pra fazer e tem muitas atrações gratuitas. Entre o final de junho e meados de julho aconteceu o famoso Festival de Jazz de Montreal, que pra nossa felicidade, ficava a uns 3 quarteirões daqui de casa. Tinha vários palcos com shows gratuitos, muitas bandas daqui e de fora, inclusive gente grande como Stevie Wonder e Ben Harper. O primeiro fez o show de abertura e o segundo fez o encerramento do festival.

Outra apresentação memorável e muito especial pra mim, foi o show do Stu Hamm, um baixista que toca há décadas com o mestre Joe Satriani e começou tocando com o Steve Vai. Ou seja, desde moleque eu ouço esse cara dominar o contra-baixo enquanto acompanha os maiores feras da guitarra e, de repente ele estava ali, num palco pequeno, só ele e o seu baixo, tocando e contando histórias pra uma platéia pequena, bem na minha frente.

Esse show aconteceu num pavilhão do festival dedicado a instrumentos musicais. Todo dia tinha aulas gratuitas de violão, percurssão, apresentações de fabricantes como a Roland e sua linha de instrumentos “virtuais” e shows de músicos patrocinados pelos fabricantes de instrumentos. Nesse mesmo local assistimos a uma palestra excelente do Robert Godin, luthier fundador da marca de guitarras Godin (daqui do Quebec). Também teve uma feira de exposição com as principais lojas de instrumentos musicais da cidade e vários fabricantes, onde era possível experimentar os mais diversos equipamentos e instrumentos e tirar dúvidas com especialistas. Tudo isso sem precisar gastar nem um centavo. Veio bem a calhar pra um casal de imigrantes recém-chegados e semi-desempregados que adora música. :)

Ah, não posso esquecer de comentar que praticamente em todos os dias em que fomos lá pro festival, ouvimos alguma coisa de música brasileira. Ou era algum conterrâneo nosso se apresentando mesmo, ou eram bandas daqui tocando clássicos da nossa música ou mostrando a inegável influência da música brasileira no som mundial. Até o Stu Hamm citou Aquarela do Brasil e improvisou um sambinha no final de uma música dele.

Stu Hamm no Festival de Jazz

Stu Hamm no Festival de Jazz

O festival de Jazz acabou, mas a cidade não pára. Nessa época tem vários festivais. De tudo o que você possa imaginar: música, humor,  países (teve um da Grécia nesse último final de semana), música francófona, cinema, cultura africana, etc. Ontem vi a propaganda de um festival de mágica que está por vir.

No Francofolies, festival de música francófona, vimos por sugestão da prima do Molanda o show de um grupo vocal que nos deixou impressionados, o Chic Gamine. São 4 garotas que cantam incrivelmente bem, cada uma com sua própria identidade vocal, e mais um canadense/brasileiro na percurssão e vocais em algumas músicas. Pra mim isso foi um achado no meio da música francófona (a qual não costuma me agradar muito). Se bem que muitas músicas delas são em inglês, algumas em espanhol e uma em português. Essa salada toda representa bem a variedade cultural que a gente vê por aqui.

Por mais de dois meses tivemos também o L’International des Feux Loto-Québec, uma competição itnernacional de fogos de artifício que ocorreu todas as noites de sábado na mesma ilha onde fica o autódromo que sediava as corridas de Fórmula 1 (estão prometendo a volta do GP de Montreal para 2010!). Nosso apartamento fica num andar bem alto e tem uma vista privilegiada da cidade, inclusive dessa queima de fogos. Então desde que o alugamos, todo sábado tínhamos um reveillon particular na nossa janela por 30 minutos seguidos. Ótimo pra juntar os poucos amigos que temos aqui pra jantar e jogar conversa fora.

Pra quem quer aproveitar a natureza ou curtir um programa com mais tranquilidade, a cidade oferece inúmeros parques, com muita área verde, lagos, espaço pra praticar esportes, correr, andar de bicicleta, passear com o cachorro, fazer piquenique ou simplesmente relaxar e aproveitar o verão. Temos ido ao parque Lafontaine, que fica próximo de casa e é bem agradável. Ainda falta uma visita ao obrigatório Parc Mont-Royal, que deu nome à cidade e tem a melhor vista de todas. Nós já conhecemos uma parte dele nos nossos primeiros dias aqui, mas não fomos no mirante principal, de onde dá pra ver o centro da cidade.

Falando em parques e atividade física, uma coisa que eu adoro aqui são as Bixis.  É um sistema de aluguel de bicicletas que possui inúmeras estações espalhadas pela cidade. Você pega uma bike numa estação e devolve em outra. Por $5 você tem acesso durante 24h ao sistema, podendo ficar com uma Bixi por até 30 minutos de cada vez. É bem interessante para quem quer um meio de transporte ecologicamente correto ou simplesmente uma bike para passear pela cidade. Esse sistema está fazendo sucesso e Montreal vai exportá-lo para Londres e Boston.

Em meio ao dia-a-dia agitado de trabalho, procura por emprego, estudos, afazeres domésticos, etc., estamos aproveitando devagarzinho o que a cidade tem pra oferecer. Não precisa ter pressa, pois tem coisa suficiente pra passar um ano inteiro se divertindo sem se entediar e sem gastar muito, se você souber aproveitar as oportunidades.

Passamos um tempo sem postar devido a falta de novidades. Nesses dias o Marcio tomou um gás na procura de empregos. Descobrimos um monte de coisas erradas que estavamos fazendo nos currículos e finalmente acho que acertamos a mão. Ele tinha um currículo de 3 páginas com toda a experiência de trabalho dele até hoje. Quando tinha uma proposta interessante ele mandava esse currículo. Ele foi aconselhado pelas pessoas das próprias empresas, e por um colega dele daqui, a diminuir para pelo menos 2 páginas, e personalizar os curriculos para as propostas de emprego. Por exemplo: Se a proposta é para um Analista, não adianta ele colocar a experiência de Programador.

Outra coisa que disseram para a gente não fazer de jeito nenhum é ir nas empresas deixar o currículo. Talvez em outras áreas isso funcione, mas na TI parece que não ajuda muito não. Aliás, parece que atrapalha. Engraçado que várias pessoas disseram para fazer isso… Vai entender!

Como não tivemos outras novidades ficamos um tempo sem postar. O Márcio passa o dia na procura de empregos e tem feito algumas entrevistas promissoras. Eu ainda estou meio perdida esperando meu estagio começar.

————————————————————-

Essa semana  fomos no cinema assistir “Harry Potter and the Half Blood Prince”. Fomos no Cine Scotia Bank da St. Catherine. Se parece muito com o cinema do Iguatemi, mas em proporções gigantescas. O Márcio disse que lá tem Imax, mas nem prestamos atenção na hora de comprar os ingressos. Dia de terça o ingresso custa 5 dólares, enquanto nos outros dias custa 12 dólares. Decidido, só iremos ao cinema às terças-feiras.

————————————————————-

Hoje vou no escritório aqui perto saber sobre a Francisação. Estou precisando urgentemente. Apesar de todo mundo falar Inglês, um dia precisaremos falar Francês (eu acho).

————————————————————-

Sábado, no campeonato de fogos de artifício, foi o dia da Argentina. Não tiramos fotos porque recebemos o Linhares, Rafaela, Lilian e Diego aqui em casa para assistir também. Foi muito legal. Tenho certeza que teve uma hora que os fogos da Argentina escreveram Brasil no céu. Outra pessoa viu escrito Bagette. Hehehehe!! Enfim, acho que dependia da interpretação da própria pessoa.

Olá povo do nosso Brasil varonil!

Finalmente estamos conectados de volta ao mundo. Passamos 3 dias sem a bendita\maldita Internet. Assim que chegamos em Montreal algumas pessoas nos deram conselhos sobre empresas de telefone, internet e tv a cabo. A maioria delas nos disseram para não contratar os serviços da Bell. Porque além de caro, o serviço era ruim, etc.

Começando a história pelo começo, uma das primeiras coisas que precisamos providenciar foi um celular, já que temos que colocar um telefone nos currículos e o do Hotel só iria valer por 1 mês. Então pesquisamos as inúmeras empresas de celular por aqui pelo melhor plano. Para quem não sabe o serviço de telefonia de celular no Canadá é bem caro e ruim. Aqui você paga para ligar do mesmo jeito que paga para atender. Paga para ter identificador de chamada, para ter secretária eletrônica, etc. Os contratos são de no mínimo 2 anos e só tem 2 empresas que têm a tecnologia GSM. Em compensação, se você não está interessado em ter um Blackberry ou um iPhone, é muito provável que o aparelho saia de graça ou por um preço muito barato, dependendo da empresa. Ficamos em dúvida entre a Rogers e a Fido. Mesmo a Fido sendo da Rogers, os planos são bem diferentes e os aparelhos que são vendidos nas duas empresas podem sair por preços diferentes também.  Acabamos decidindo pela Fido, cujo o contrato é só de 2 anos (o normal é ser 3 anos), optamos pelo plano 100 minutos (ligar ou atender), ilimitado depois das 19h e nos finais de semana, envio e recebimento ilimitado de mensagens de texto, pela bagatela de $25. Além disso, tem o plano de utilities, com chamada em espera, identificador de chamadas e aumentando a margem de ligações ilimitadas de 19h para 17h por mais $15,00.

Enquanto ainda estávamos pesquisando planos para celulares, passamos por um estande da Bell e vimos os planos de celular, telefone, tv a cabo e internet da empresa. Achamos os preços bastante razoáveis, com exceção do celular. Como o prédio onde a gente veio morar só aceita outra empresa de TV a cabo, decidimos por fechar o contrato da internet e telefone fixo pela Bell. Eles deram um prazo de 3 dias para instalar tudo. Beleza. Faltava ainda uma semana para sairmos do Hotel. Tempo mais do que suficiente para irmos com tudo funcionando… Bobinhos!! Contratamos o serviço numa segunda-feira. Na terça nos ligaram para dizer que iam instalar tudo na quarta e que alguém tinha que estar no apartamento entre 8h e 18h da quarta-feira. Beleza. Eu passei a quarta-feira inteira no apartamento sem internet, sem televisão, sem nada pra fazer e ninguém da Bell apareceu… Liguei 3 vezes durante o dia e eles só mandaram esperar. No dia seguinte liguamos para a Bell. Segundo o atendente, o técnico foi e não tinha ninguém em casa… Como assim?!?!?! Eis que o atendente diz que não tinha como ele entrar, que tinha que interfonar e o atendente não sabia o código do interfone. Detalhe: tem uma lista do lado do interfone com o número do apartamento e o código para interfonar. Então o atendente diz que foi remarcado para Sábado, um dia antes da mudança. Depois de muito argumentar, resolvemos esperar. Eis que ninguém aparece no sábado. E o pior de tudo, descobrimos da pior maneira que os número “toll free” não são free se você liga do celular da Fido. Ligamos milhares de vezes para a Bell e acabamos todos os nossos créditos do celular com uma droga de serviço que não foi instalado. Depois de uma ultima tentativa de ter uma explicação do porquê ninguém veio no sábado, nos disseram que não sabiam explicar, que alguém viria na terça… Decidido: Cancelamos a “Belle Merde”. Contratamos outra empresa para a Internet, a VDN (MaxNet), que instalou tudo hoje, sem complicação. O telefone fixo ainda vamos decidir onde vamos fazer…

Pois é. Aprendemos a lição. Bell jamais!


Festival de Fogos de Montreal. Sábado 11 de Julho.

Próxima Página »